sábado, 16 de julho de 2011

“Escolha não cair” ?

A gravidade existe. Felizmente ( ou infelizmente). A história de escolher não cair é muito interessante, mas existem momentos em que as coisas caem, independente de nossa vontade. Controlamos nossas vidas somente até certo ponto...

Sábado, 16 de julho de 2011, 20:48 p.m. Chego em casa cansado e vou tomar um banho. Logo que entro no banheiro e fecho a porta acontece o que menos esperava: a maçaneta do lado de dentro cai. “Tá de brincadeira...”. Tento colocá-la no encaixe com a maçaneta do lado de fora (minha esperança de abrir a porta), mas a situação só piora: acabo empurrando o encaixe da maçaneta de fora ainda mais para fora. Pronto, agora não consigo mais encaixar a maçaneta de dentro pra sair...
Detalhe No 1: estou só em casa. Detalhe No 2: Procuro o celular no meu bolso pra avisar que ( por mais patético que seja) estou preso na banheiro da minha casa. Não o encontro no meu bolso. Detalhe No 3: está frio (aproximadamente 9 graus). Não tenho casaco, e à medida que a noite avança vai ficar mais frio. Detalhe No 4: por sorte tem uma janela no banheiro (mas ela é pequena demais para conseguir sair através dela).
O tempo passa bem devagar quando você não tem digamos... Nada pra fazer. Depois de um tempo já havia me conformado. Estava esperando alguém chegar pra me resgatar desse “acidente” de sábado à noite. Digamos que a idéia de gritar pela janela “To preso no banheiro” fosse ridícula demais, além de desnecessária já que nenhum vizinho tinha a chave da minha casa.
Olho no relógio: 9:15 p.m.... Já estava sentado num canto, pensando em tudo que me distraísse do fato de estar preso. Então: “ Perai. Eu já sou velho demais pra passar uma vergonha dessas. Deve ter algum jeito de sair daqui...”. Volto na porta e olho pelo buraco da maçaneta. “É claro! A maçaneta de fora não foi empurrada o suficiente pra cair. Tudo que tenho que fazer é achar uma forma de puxar sua haste para dentro, pra poder encaixar a maçaneta de dentro.” Olho ao meu redor. O “instrumento” que pareceu mais útil foi uma tesoura de cortar unha. A idéia era utilizá-la como uma garra. Tentei introduzi-la semi-fechada no buraco da maçaneta e abri-la na tentativa de pegar a haste da fechadura de fora. Para o meu azar o buraco não permitia que a tesoura fosse aberta o suficiente para segurar a haste da maçaneta e puxá-la. Olho ao redor novamente. Outra tesoura! Isso! Coloco uma tesoura por baixo da haste e outra por cima. Introduzo e seguro as duas com calma e cautela pra não fazer a maçaneta que ainda resta cair.
Depois de alguns movimentos discretos de uma lado pro outro com a minha “pinça improvisada” consigo trazer a haste da maçaneta de fora para perto da abertura do buraco da maçaneta. Finalmente tenho condições de encaixar a maçaneta interna, girar e... Funciona! Novamente livre!
Moral da história: nunca entre no banheiro sem um celular, mas caso isso aconteça, não se desespere... Existem várias formas de lidar com situações adversas e “se safar”, tudo depende do modo como você enxerga as coisas à sua volta. Se você se convence que foi vencido seus olhos ficam cegos para as formas mais simples de resolver os problemas.

Att Lucas O. Mourão (Sapo)
Rio, 16/07/2011

quinta-feira, 3 de março de 2011

Determinação

A humanidade levou 50 milhões de anos até chegar no estágio de desenvolvimento atual. Nossa expectativa de vida gira em torno dos 70, 80 anos. E cada dia só tem 24 horas. Qualquer evolução que ocorra durante nossas vidas vai ser, no máximo, mais um grão de areia perdido num deserto. E mesmo assim esse curto tempo é tudo que nós temos. Só isso e nada mais. Ai está a origem da nossa insignificância. Mas não devemos deixar de nos dedicar, de tentar evoluir e mudar algo. Afinal, essa vida é tudo que nós temos.
No parkour, assim como nada vida, os resultados não acontecem de uma hora pra outra. São necessárias varias horas de treino pra aperfeiçoar um movimento, e quando ele não é repetido com freqüência há perda significativa de sua qualidade. Muitos têm falado sobre uma “comunidade mundial” de tracers que se apóiam e não visam a competição. Isto é em parte verdade. No entanto, o que mais se vê são demonstrações de imaturidade e insegurança de praticantes que só querem ser aceitos aos olhos dessa “comunidade”. Frequentemente vejo comentário em vídeos dizendo: “Nossa, como você é bom! Espero que você continue assim e um dia seja reconhecido pela “comunidade internacional”.
O individualismo, o egoísmo. Este é atualmente o maior obstáculo ao desenvolvimento do parkour. É preciso ter censo critico pra saber reconhecer seus pontos fracos. Se meu lache é ruim vou treinar para melhorá-lo, e isto não vai acontecer em uma semana. Talvez aconteça em um ano.
Não se pode fazer um bolo sem uma fôrma. Não se pode tornar-se um verdadeiro tracer sem caráter, sem personalidade.

Escrito em 9 de setembro de 2010 (postado só agora não sei bem porque...)
Att Sapo (Lucas O. Mourão)